quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pontiac Grand Prix 1964: bons tempos


A Pontiac dominava. E este Grand Prix de 1964 é um dos mais impressionantes e bonitos Pontiacs de todos os tempos. Sim, ele é uma barca. As protuberâncias na frente e na traseira são exageradas, e as rodas ficam um pouco para dentro demais na carroceria, mas ele é uma expressão magnífica do design automotivo americano no tempo em que as equipes de projetistas – comandados por Bill Mitchell, neste caso – criavam beleza, não espaço e ergonomia, e os engenheiros cuidavam de potência e torque, não de economia e poluição. Em muitos quesitos, foi bom termos nos livrado destes excessos, mas, em termos absolutos, a perda de carros assim, e a perda daPontiac em si, é uma grande tragédia.


Eu nunca vi muita serventia em carrões grandes, mas entendo que a maioria dos americanos os deseja – e sempre desejaram. Quando a indústria de Detroit começou a encolher seus carros de passeio nos anos 1970, houve uma migração maciça para picapes e SUVs, em parte porque seus motores galopavam livremente, mas principalmente, ao meu ver, porque eram grandes. Se Detroit não vendesse um carro grande, os clientes escolhiam uma caminhonete grande que se comportasse meio como um carro.

Este Grand Prix não é exatamente eficiente no uso do espaço, mas é gritantemente belo de forma atipicamente (para a General Motors) sóbria, bem ao estilo do formoso Fiat 130 cupê desenhado pelo estúdio Pininfarina. Mas esse Pontiac veio ao mundo cinco anos antes. Os modelos 1963 e 1965 do Grand Prix tinham viseiras sobre os faróis sobrepostos, mas o 1964 tem faróis elegantemente “limpos”, sem elementos supérfluos vilões da aerodinâmica.

Após um longo período construindo carros com soluções infelizes, a GM voltou-se às colunas. A simples e lineares da década de 1960. Neste Grand Prix, toda a estrutura superior é pura, tanto clássica quanto elegante. A curva invertida nas bordas das colunas traseiras e a lanterna traseira côncava remetem aos desenhos britânicos no estilo de faca, muito apreciado por Bill Mitchell, mas o visual geral é insistentemente americano. As formas da carroceria inferior são lineares, com apenas uma discreta elevação na linha da cintura sobre a roda traseira, infelizmente exagerada no modelo 1965.

Lábios cromados nas aberturas dos para-lamas – as dianteiras maiores que as traseiras, mas no mesmo estilo retangular – pontuam o perfil lateral, assim como os frisos cromados do teto. Mitchell fez bastante uso de cunhas, que ele comparava a vincos em um terno bem alinhado. Há uma no meio do capô, uma em cada para-lama dianteiro e uma versão inchada na lateral dos para-lamas traseiros, dando vida aos painéis laterais simples

Seja com motores V8 6.4 ou 6.9 litros, havia potência de sobra para dar a esse carro “pessoal” – superior a qualquer Chevrolet – um desempenho empolgante, e seu entre-eixos de três metros garantia uma direção suave. Deveria haver um descendente adequado deste carro no mercado hoje, mas não há, nem nunca haverá.

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